TikTok está no centro do ativismo do movimento #blacklivesmatter

Os usuários do TikTok negros e seus aliados estão usando a hashtag #blacklivesmatter no aplicativo para defesa social, fornecendo dicas sobre como protestar com segurança, compartilhando recursos educacionais e falando sobre injustiça racial.

A hashtag está na moda no TikTok, com mais de 4,9 bilhões de visualizações, enquanto ondas de protestos varrem o país após a morte de George Floyd.

“O TikTok é um veículo para que os usuários se expressem”, disse à CNN Vanessa Pappas, gerente geral da TikTok US, em comunicado. “Essa expressão costuma ser alegre, mas nossa comunidade está passando por um momento de profunda angústia e indignação, e grande parte do conteúdo do aplicativo nesta semana reflete claramente essas experiências. Agora, mais do que nunca, estamos com a comunidade negra”.

Alguns criadores, incluindo a personalidade da TV Ruba Wilson, @rubasworld, usaram o aplicativo para destacar momentos invisíveis dos protestos em todo o país. O vídeo mostra manifestantes cantando e dançando “Man In The Mirror”, de Michael Jackson, e tem a legenda: “O protesto que a notícia não quer que você veja”.

Outros usaram a plataforma para falar abertamente sobre raça e como ser negro afetou suas vidas: em relacionamentos, na escola ou em encontros com a polícia.

O amplo uso da hashtag aconteceu depois que criadores negros e defensores do movimento foram ao TikTok em maio para aumentar a conscientização sobre a injustiça racial dentro e fora do aplicativo.

Em homenagem ao aniversário do Malcom X, os usuários mudaram suas fotos de perfil para o símbolo do poder negro e falaram sobre discriminação. Alguns acreditavam que os algoritmos do TikTok haviam deixado de lado a comunidade negra e houve uma discussão sobre se o TikTok apoiava seus usuários negros. Em resposta, os TikTokers iniciaram o #ImBlackMovement, que ajudou a chamar a atenção para o impacto causado por pessoas negras no aplicativo.

Na semana passada, após a morte de Floyd e os protestos que se seguiram, parecia que as hashtags #blacklivesmatter e #georgefloyd tinham sido bloqueadas pela plataforma, recebendo zero visualizações.

O TikTok disse em comunicado que isso aconteceu devido a uma falha técnica, que foi resolvida logo depois.

A usuária do TikTok @original.don foi ao aplicativo logo após a morte de Ahmaud Arbery para explicar seu medo de criar um filho.

“Se ele crescer na sociedade em que vivemos hoje, poderá não passar dos 20 anos. Se ele estiver tentando ir à loja de conveniência e usar um capuz, ou se estiver apenas correndo, poderá ser morto”, ela diz.

Ela também postou um clipe depois de assistir ao vídeo de Floyd, que morreu depois que um policial se ajoelhou em seu pescoço.

“Parte meu coração que, no minuto em que saí do ventre de minha mãe, cometi um crime. Sendo negra … Quantos mais têm que morrer para que possamos fazer mudanças?” diz o texto no vídeo.

Alguns usuários criaram clipes com dicas de como participar de um protesto com segurança.

“Conheça seus direitos, pesquise seus direitos”, diz Jasmine Bost, @jazbost, sugerindo que os manifestantes se familiarizem com os direitos garantidos pela Primeira Emenda. “Incentive seus amigos a procurar esses recursos e conhecer seus direitos antes de sair para protestar”, diz ela.

Um usuário, @skincarebyhyram, indica não usar maquiagem ediz aos manifestantes para usarem uma cobertura para os olhos e pro rosto para proteger contra gás lacrimogêneo ou armas. E outro usuário, @wavyyydavid, recomendou que os seguidores “tenham pelo menos dois contatos de emergência anotados”, “tragam uma mochila branca ou preta com água e lanches”, “mantenha-se hidratado”, “não use lentes de contato” e informe pessoas brancas para “usarem seu privilégio branco!”

Alguns criadores compilaram listas de livros para ler neste verão sobre raça e racismo em suas várias formas e manifestações. Taylor Cassidy, @taylorcassidyj, sugere “The Help”, “The Hate U Give”, “Stamped” e “Black Enough”, como “livros para ler neste verão sobre a Experiência Negra”.

Muitos TikTokers estão usando música combinada com imagens de protesto para espalhar sua mensagem. Alguns, como o comediante Kareem Rahma, @kareemrahma, postaram imagens e vídeos de protestos em “This is America”, de Childish Gambino, uma música sobre racismo e violência armada nos EUA.

Outros usuários publicaram imagens semelhantes para a melodia de “Waiting On The World To Change”, de John Mayer. O usuário @livandconnor destaca a letra: “É difícil fazer a diferença quando estamos à distância”, aludindo a medidas de distanciamento social.

Alguns, incluindo Tyler Reed, @tylerreed, usaram “Same Love”, de Macklemore, destacando a frase: “Eu posso não ser o mesmo, mas isso não é importante, não há liberdade até que sejamos iguais, super certo, eu apoio”.

As celebridades também usaram a hashtag para falar na plataforma.

Lizzo publicou uma série de lugares para doações, incluindo o George Floyd Memorial Fund, o Minnesota Freedom Fund e o Black Visions Collective. Ela pediu que os brancos fossem ativamente “anti-racistas”, agradeceu as pessoas influentes que se manifestaram por sua “aliança e apoio” e incentivou todos a considerar o que vem a seguir.

“Protesto é o começo do progresso, não o fim”, disse ela.

John Legend cantou uma versão de sua música “Glory” da trilha sonora “Selma”, um filme sobre as marchas históricas para os direitos civis no Alabama.

A estrela e influenciadora do TikTok, Charli D’Amelio, @charlidamelio, falou sobre #blacklivesmatter em sua página e compartilhou um documento que inclui petições para assinar, fundos para doar, recursos para educação sobre racismo e anti-racismo, além de números para enviar mensagens ou ligar em homenagem à justiça por Floyd e outras vidas negras perdidas. O documento também inclui uma lista de suprimentos que os manifestantes devem levar a uma manifestação

“Como uma pessoa que recebeu a plataforma para ser um influenciador, percebi que, com essa função eu tenho um trabalho: informar as pessoas sobre as desigualdades raciais no mundo agora”, disse D’Amelio, que tem mais de 60 milhões de seguidores.

Fonte: Rachel Janfaza – CNN Politics

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